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fotos-site-ailtonAs transformações do século XXI são evidentes em todos os setores da sociedade. Essas transformações são tão constantes que alguém, sabiamente, afirmou que vivemos em um “mundo líquido”. Apenas para exemplificar, cito o setor de call center que exige mudança de postura de 800 mil pessoas que estão ligadas à dinâmica do setor. Ou elas se reinventam ou estarão fora do mercado em curtíssimo espaço de tempo. Assim como desaparece do mercado a figura do Ascensorista, desaparecerá a figura do operador de telemarketing em decorrência do avanço tecnológico digital.

A Assistência Social não ficou imune às transformações deste mundo líquido (MONTAÑO, 2010, 288 páginas). Em uma análise mais profunda, perceberemos que as mudanças ocorridas na Assistência Social são decorrentes de mudanças de paradigmas, de visão de mundo, de forma de gerir as questões públicas. A Assistência Social, gradativamente, vem perdendo sua função universalista ao mesmo tempo em que ganha fortes contornos as ações focalizadas realizadas aqui e acolá. As conquistas adquiridas no processo histórico têm sido abandonadas, ficando a cargo do necessitado a responsabilidade de suprir a sua própria necessidade. É neste contexto que podemos elencas alguns desafios que permeiam a Assistência Social.

a) O Estado alega, constantemente, que a escassez de recursos é a causa da má realização das atividades relativas à Assistência Social ao cidadão de parcos recursos. Não considerando que as mazelas ocorridas dentro dos Governos são – de fato – as produtoras dessa escassez de recursos: basta olharmos para a Habitação, Saneamento básico, Saúde, etc;
b) Os Órgãos Públicos responsáveis pela Assistência Social alegam que não dá conta de atender a demanda que – historicamente – cresce no país. Para exemplificar, não há onde acolher todas as crianças e adolescentes (CCA – centro para crianças e adolescentes / SPVV – serviço de proteção social as crianças e adolescentes vítimas de violência / SAICA – serviço de acolhimento institucional de crianças e adolescentes), as mulheres (Abrigos sigilosos e CDCM – Centro de defesa e convivência da mulher). Os idosos estão abandonados à própria sorte, são ínfimos os NCIs – núcleo de convivência de idosos / CDI – centro dia para idosos. Nesse caso último, a morte é a responsável pela abertura da próxima vaga;
c) As Ong´s, no exercício da “parceria” com o Estado, vivem sob pressão dos agentes públicos, a fim de que estejam nos lugares onde o Estado não quer ir. Além do que, viver com o pires na mão tem sido prática corriqueira dessas Instituições;
d) As ações emergenciais têm sido a prática diária na Assistência Social (CTA – Centro temporário de acolhimento), de forma que a ação planejada, duradoura e assertiva não se estabelece como agenda prioritária do gestor público;

Poderíamos acrescentar outros e outros e outros desafios que a Assistência Social enfrenta, no entanto, a lista de desafios por si só não resolve a questão. Cabe-nos, então, fazermos alguns questionamentos: o que fazer para mudar o estado das coisas? Deveríamos abandonar de vez essa questão, deixando à própria sorte os desafortunados? Perderemos a esperança? Deixaremos a nação cair no descrédito total? Ou buscaremos soluções por meio de reflexões sérias a respeito da Assistência Social no país?

Recomendação Leterária: Terceiro Setor e Questão Social.

Recomendação Leterária: Terceiro Setor e Questão Social.

Entendemos que a Assistência Social não pode deixar de ser realizada pelo Estado com base no discurso de que há escassez financeira. A Assistência Social não pode ser retirada da órbita do Estado sem que haja consequências aos direitos adquiridos. A real desigualdade de distribuição de renda será resolvida com ações pensadas, planejadas, duradouras levadas à cabo pelos gestores públicos. É preciso se inserir no âmago da discussão do tema junto ao Estado, a fim de que os debates sobre políticas públicas redundem no fortalecimento do bem-estar social. Entendo que não somente é obrigação do Estado, por meio de políticas públicas, atender seus cidadãos em suas necessidades, mas também é dele (do Estado) a responsabilidade de promover políticas econômicas que permitam um mínimo de igualdade de condições para os seus cidadãos terem acesso aos meios de produção que permitam a satisfação de seus direitos e deveres previstos na Carta Magna do país e isso não será possível se a EDUCAÇÂO no país não se tornar assunto relevante, primevo, primordial na agenda da administração pública. É a Educação a chave para a resolução da grande maioria dos problemas que chegam à Assistência Social. A receita é velha, mas o remédio é eficaz.

Por Ailton de Souza* – Diretor de Ação Social


* Mestre em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2010); Bacharelando em Direito, pela Faculdade de São Paulo - FASP (2017); Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2010); Bacharel e Licenciado em Letras - Português / Espanhol pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2009); Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2008); Graduado em Teologia pelo Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição (2002). Atualmente, integra a equipe Sinergytech: integrando tecnologias, provendo Soluções e Diretor de Ações Sociais do Instituto Handel de Responsabilidade Social. Nos últimos anos, atuou como Professor Coordenador do Curso de Secretariado Executivo da Faculdade de São Paulo, Professor Coordenador do EAD do Grupo Uniesp e lecionando as seguintes disciplinas: Filosofia, Sociologia, Cidadania e Responsabilidade Social, Metodologia, Desenvolvimento Organizacional, Linguagem e Interpretação de textos, Linguagem e Argumentação, Oficina de redação. Desenvolve estudos em Literatura hispanoamericana - Sor Juana Inés de la Cruz; em Filosofia da linguagem - Paul Ricoeur; em Literatura e Protestantismo - Exegese e interpretação protestante da Bíblia. Revisor de textos da Editora Dragonfly.